The First Berserker Khazan entrega um bom título, mas abaixo do seu potencial
Novo jogo da Neople é um bom soulslike, mas alguns pontos o impedem de alcançar a grandeza que poderia

Fonte: Neople/Divulgação
Lançando originalmente ainda em 2005, o beat’em up online Dungeon Fighter, hoje desenvolvido e publicado pela sul-coreana Neople, rapidamente se tornou um enorme sucesso no mercado oriental. Embora seu alcance no ocidente não tenha sido tão avassalador quanto o sucesso no oriente, DNF é uma das maiores franquias de entretenimento da história, ocupando o décimo quinto lugar no quesito arrecadação ao longo de seus quase 20 anos de existência.
Com tamanho sucesso nas mãos, não demorou para a Nexon, publicadora da propriedade intelectual (IP), começar a expandir seu universo em outros jogos, como o recente DNF Duel, jogo de luta produzido pela Arc System e que tinha em seu elenco os personagens do jogo original. Agora, mais uma vez desenvolvido pela Neople, temos The First Berseker: Khazan, um action RPG hardcore que explora as origens e história de uma das subclasses de DNF, o berseker, e o personagem que dá vida a essa classe.
Eu joguei o título antecipadamente aqui no Voxel e vim te dizer se o game entrega uma experiência digna do tamanho da franquia. Você confere mais detalhes na nossa análise a seguir!
Um general caído
The First Berseker: Khazan segue a história do grande general Khazan, o maior herói e líder do exército imperial de Fell Los, que é injustamente acusado e condenado como traidor do reino e condenado à morte. Acorrentado e sem perspectivas de conseguir escapar, o guerreiro é então liberado por uma entidade composta por diversos fantasmas guerreiros que deseja usar seu corpo como ferramenta para cumprir as ordens do rei do submundo. Munido com novos poderes e uma sede de vingança, nós seguimos Khazan enquanto desvendamos mais sobre a trama que o envolve e o misterioso desbalanço entre o mundo dos vivos e dos mortos.
Evitaremos dar muitos spoilers, mas a trama aqui é realmente simples, portanto não espere grandes desdobramentos ou narrativas complexas. Embora haja alguns plot twists e momentos interessantes, que são contados por meio de belas cutscenes em forma de tinta sob tela, esses são muitas vezes previsíveis e acabam não engajando tanto. Outro ponto que falha em nos engajar na trama são os personagens, que excluindo Khazan, brilhantemente interpretado por Ben Starr, e alguns outros que evitaremos citar por spoilers, acabam não sendo suficientes o interessante para nos envolvermos com eles e com os acontecimentos que são expostos durante o game.

Um ponto de destaque e que ajuda a compensar a falta de interesse maior pela narrativa são os cenários e visuais dos personagens e inimigos. Embora haja um problema de repetição, que iremos citar mais para frente, os gráficos em estilo cel shading são bonitos e a direção de arte faz um bom trabalho, entregando um mundo bonito e interessante, e com claras inspirações na obra Bersker de Kentaro Miura.
Infelizmente, aqui há também um problema, pois mesmo jogando em duas diferentes placas (uma Radeon RX 7700 XT e uma RTX 3070) o jogo, embora tenha boa performance, apresenta vários glitches gráficos, como chão e texturas desaparecendo e quedas de frames severas, até mesmo em lutas contra chefes, em especial nas primeiras horas de gameplay. Aqui resta torcer para que a Neople já tenha algumas correções planejadas para o primeiro dia.
Um Souls Like de qualidade
Partindo para a jogabilidade de The First Berseker: Khazan é preciso começar dizendo: o título se trata de um soulslike em praticamente todos os aspectos que isso possa significar. Gameplay baseado em dodges e parry, ausência de um botão de pulo, sistema de stats, semelhantes aos da franquia souls, renascimento em bonfires, perda de recursos ao morrer (aqui denominada de lacrima) e, é claro, uma enorme dificuldade.
Para os fãs do gênero, fico feliz em dizer que temos um belo exemplo de soulslike fora de jogos da From Software, com uma excelente e responsiva gameplay e ótimos sistemas de combate. O game também entrega diferentes habilidades e modificadores de ataques, além de contar com três diferentes tipos de arma que mudam completamente a jogabilidade.
Já para aqueles que não são tão fãs do gênero, o que pode afastar muitos de primeira, também tenho boas notícias: o título apresenta algumas melhorias de qualidade de vida focadas justamente no público que não se anima tanto com esse modelo mais hardcore de gameplay. Primeiramente temos o tão famigerado e discutido modo Fácil (Easy), que se faz presente em Khazan.
Não posso opinar muito sobre o quão bem implementado ele é, visto que mudar para o modo fácil impossibilita aumentar a dificuldade depois, e eu sou fã desse modelo mais brutal de jogo. No entanto, é muito interessante e positivo que a Neople tenha pensado nesse público e adicionado essa opção.

Além disso, The First Berseker traz um sistema muito inteligente, e que acredito que será copiado por outros títulos soulslike no futuro, de progressão contra chefes. Para cada vez que você enfrentar os brutais chefes do jogo, e acredite, serão muitas vezes, você recebe uma quantidade de lácrima entre cada tentativa, progredindo seu personagem mesmo no caso de falhas, algo que ajuda diminuir a frustração de morrer repetidas vezes para o mesmo inimigo.
Embora o jogo seja extremamente divertido e desafiador durante suas fases, é nas lutas contra chefes que ambas as características são elevadas e muito em qualidade. Os chefes do jogo são extremamente interessantes tanto em visuais quanto em seus movesets, que são sempre muito variados e complexos, fazendo com que uma vitória em sua primeira ou segunda tentativa seja uma tarefa hercúlea mesmo para veteranos do gênero. Se você jogar na dificuldade normal, se prepare para levar muito tempo e gastar muita atenção para derrotar esses desafios, já que, a título de exemplo, eu costumava levar algo em torno de 30 a 45 minutos de tentativas para cada chefe.
Um enorme potencial desperdiçado
Mas não é apenas de soulslike que The First Berseker: Khazan absorveu inspiração, já que o título também conta com um relativamente robusto, para o gênero ao menos, sistema de itens, craft e melhorias. Ao longo de sua jogatina, você irá se deparar com uma enorme variedade de equipamentos e armaduras que podem fazer parte de sets que, se equipados em números maiores, podem trazer grandes melhorias para Khazan e até alterar de forma leve sua forma de encarar a gameplay.
Além disso, mais para o meio do jogo, você abre a possibilidade de craftar esses itens, desde que encontre suas receitas ao longo das fases. Também é possível melhorá-los ao gastar ouro e equipamentos de nível mais alto, além de mudar seus afixos (como dano ou defesa) de forma randômica, algo comum em jogos de ARPG isométricos.
Todo o material necessário para realizar todas essas ações podem ser encontrados nas excelentes fases que encontramos ao longo do título. Embora o sistema de itens pareça ter tirado inspiração de outros jogos, claramente o sistema de fases lembra, e muito, o de Demon Souls, contando com mapas que não são interconectados e podem ser acessados pela sua base.
O layout de cada local em si também é claramente inspirado em jogos souls, contando com diversos segredos e atalhos para aqueles que estiverem dispostos a explorar um pouco mais seus cantos. No geral, mesmo após horas de jogo e tendo que acelerar minha jogatina para essa review, frequentemente eu me via perdendo diversos minutos explorando cada canto do mapa em busca de segredos ou outros inimigos.
Infelizmente toda essa enorme qualidade nas fases, inimigos e chefes acaba sendo fortemente ofuscado pelo sistema de side quests do jogo. Frequentemente personagens que você resgata e conversa em sua base lhe darão missões secundárias para executar, algo normal em RPGs. Infelizmente é aqui que The First Berseker: Khazan falha bastante em sua implementação, e faz parecer que o jogo saiu antes da hora.

Cada missão, ao invés de contar com uma área nova ou inimigos diferentes, é sempre uma repetição de uma outra área da missão principal. Em alguns casos, o local ganha alguma mudança de cor ou de orientação, e os chefes finais de cada uma delas sempre são reskins de outros chefes ou de inimigos normais elevados ao status de boss. Um exemplo, que chega até se tornar meio caricato, é uma missão secundária onde o boss final é o irmão gêmeo de um boss da missão principal, com o exato mesmo moveset e com a luta acontecendo na mesma arena da original.
Sei que muitos de vocês devem estar se perguntando porque isso é um problema tão relevante, já que seria apenas o caso de ignorar essas missões. Infelizmente, isso é quase impossível: na primeira parte do título, é por meio delas que destravamos os sistemas que citei anteriormente, como craft e melhorias de itens, e na segunda parte do gameplay elas trazem partes relevantes do lore, bem como detalhes necessários para destravar o final verdadeiro do game.
Vale a pena?
The First Berseker: Khazan é um jogo que possui uma base extremamente sólida, com excelente jogabilidade, bons visuais e chefes desafiadores e extremamente bem feitos. Essa base mostra um enorme potencial que, infelizmente, acaba não sendo alcançado por suas péssimas e repetitivas sidequests. Essa escolha acaba tornando o game, que poderia vir a ser dos grandes destaques do ano, apenas uma boa recomendação para aqueles que são fãs de jogos de ação desafiadores.
Nota Voxel: 85
Pontos positivos (prós):
- Excelente e divertida jogabilidade;
- Ótimos e desafiadores chefes;
- Fases interessantes e altamente exploráveis.
Pontos negativos (contras):
- Repetição de inimigos;
- Sidequests com fases e chefes recicladas.
Uma cópia do jogo The First Berseker: Khazan foi cedida pela Nexon para a realização da review no PC. O game chega em 27 de março no computador, PS5 e Xbox Series S e X. Uma demo grátis também está disponível na Steam atualmente.
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