A Rússia está testando um sistema de armamento híbrido de curto alcance com características de mísseis e drones que deve ser utilizado em missões de ataques a veículos blindados e posições defensivas da Ucrânia. Denominado “Solist”, o dispositivo teve novas imagens divulgadas no domingo (23).
Revelada no início de fevereiro, a plataforma é descrita oficialmente como uma combinação de míssil guiado antitanque com drone de visão em primeira pessoa (FPV) que preenche a lacuna entre os sistemas de morteiros e os mísseis convencionais. Seu diferencial está na capacidade de correção da trajetória, permitindo alcançar alvos em movimento.
Utilizando o sistema de orientação FPV, que transmite imagens ao vivo durante o voo do Solist geradas pela câmera a bordo, o operador pode reposicionar o projétil em tempo real, se necessário, guiando-o ativamente até o alvo inicial ou para outro de maior prioridade na trajetória do voo. Sua munição é comparável à dos lançadores de granadas RPG-7 e SPG-9.
Equipada com um propulsor de foguete, a nova arma híbrida russa pode alcançar velocidades superiores a 500 km/h e atingir até 2.000 m de altitude após o lançamento por tubo, sendo capaz de alcançar alvos entre 800 m e 10 km de distância, dependendo de certas condições. O projétil mede 1,2 m e pesa em torno de 20 kg.
Testes em missões na Ucrânia

Para avaliar o desempenho da plataforma Solist no campo de batalha, as Forças Armadas da Rússia têm usado o sistema híbrido em operações realizadas na República Popular de Donetsk. A região originalmente pertencente à Ucrânia foi anexada por Moscou em 2022.
Nas missões, o armamento é controlado pelo operador que fica a até 2 km de distância do lançador, reduzindo sua exposição à retaliação inimiga. Usando óculos VR, o responsável por guiar o artefato explosivo realiza as manobras para levá-lo ao alvo, que também pode ser um helicóptero voando baixo ou drones ucranianos.
Ele se destaca, ainda, pela compatibilidade com diferentes tipos de ogivas amplamente disponíveis. Entre elas, vale citar as ogivas de carga moldada antiblindagem, as de fragmentação e altamente explosivas e as termobáricas.
Segundo os militares russos, o Solist possui maior resistência à interferência eletrônica que as aeronaves não tripuladas convencionais, permitindo atravessar zonas de bloqueio de sinal com mais facilidade. Em caso de perda de comunicação com o operador, o projétil segue sua rota original pré-definida, aumentando as chances de chegar ao alvo.
Mais barato que drones kamikazes

Os resultados dos testes do míssil Solist serão essenciais para o futuro da arma híbrida, que foi desenvolvida pela empresa KEMZ em parceria com militares russos. Dependendo do desempenho em operações de combate reais, as tropas russas serão abastecidas com milhares de unidades do dispositivo nos próximos meses.
Segundo o diretor-geral do Rivir Center, Stanislav Gevorkyan, o país possui capacidade para produzir 2 mil unidades da plataforma Solist por mês. A organização acompanha o progresso dos testes e é responsável por supervisionar a atualização das aplicações militares russas com tecnologias civis.
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Ainda de acordo a entidade, a novidade custa quatro vezes menos do que os drones kamikazes, que têm carga comparável, evitando gastos excessivos. A plataforma teve o desenvolvimento concluído no final de 2024 e a produção em série está prevista para começar em meados deste ano.
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